sexta-feira, 20 de maio de 2011

Raoul Vaneigem - A arte de viver para a geração nova

A arte de viver para a geração nova
(Raoul Vaneigem)


“Nada queremos de um mundo no qual a garantia de não morrer de fome se troca contra o risco de se morrer de tédio” (VANEIGEM, 1974, p. 6).
“Aqueles que falam de revolução e de luta de classes sem se referirem explicitamente á vida quotidiana, sem compreenderem o que há de subversivo no amor e de positivo na recusa das coações, esses têm na boca um cadáver” (VANEIGEM, 1974, p. 17).
“O sentimento de humilhação nada mais é que o sentimento de ser objeto” (VANEIGEM, 1974, p. 27).
“Um gesto de liberdade, por fraco e desajeitado que seja sempre contém uma comunicação autêntica, uma mensagem pessoal adequada” (VANEIGEM, 1974, p. 36).
“Na terra de ninguém das relações neutras estende o seu território entre a aceitação hipócrita das falsas coletividades e a recusa global da sociedade. É a moral de merceeiro em frases como ‘é preciso ajudar-nos uns aos outros’, ‘em todo lado há pessoas honestas’, ‘nem tudo é tão mau, nem tudo é tão bom, o que é preciso é escolher’: é a boa educação, a arte pela arte do equívoco” (VANEIGEM, 1974, p. 37).
“Ao mesmo tempo em que punha na ordem do dia a felicidade e a liberdade, a civilização técnica inventava a ideologia da felicidade e da liberdade” (VANEIGEM, 1974, p. 44).
“Uma comunidade que se não construa na base das exigências individuais e de sua dialética forçosamente reforçará a violência opressora do poder” (VANEIGEM, 1974, p. 46).
“A igualdade na grande familia dos homens exala o incenso das mistificações religiosas. É preciso ter as narinas entupidas para sentir se bem com isso. Para mim, a única igualdade que reconheço é aquela que a minha vontade de viver conforme os meus desejos reconhecem na vontade de viver dos outros. A igualdade revolucionaria será indissoluvelmente individual e coletiva” (VANEIGEM, 1974, p. 47).
“Numa sociedade industrializada que confunde trabalho e produtividade, a necessidade de produzir foi sempre antagônica ao desejo de criar” (VANEIGEM, 1974, p. 51).
“A tripalium é um instrumento de tortura. Labor significa ‘pena’. Alguma leviandade existe em esquecer a origem das palavras ‘trabalho’ e ‘labor’. Os nobres tinham pelo menos a memoria da sua dignidade tal como da indignidade que feria os seus escravos. O desprezo aristocrático do trabalho refletia o desprezo do senhor pelas classes dominadas; o trabalho era a expiação à qual as condenava desde toda a eternidade o decreto divino que os tinha determinado inferiores, por razões impenetráveis. O trabalho inscrevia-se entre as sanções da providencia, como punição do pobre, e porque dessa forma presidia à salvação futura, essa punição podia revestir os atributos da alegria. No fundo, o trabalho importava menos que a submissão” (VANEIGEM, 1974, p. 52).
“O amor do trabalho bem feito e o gosto da promoção no trabalho são hoje a marca indelével da frouxidão e da submissão mais estúpidas” (VANEIGEM, 1974, p. 53).
“Ter colocado a técnica ao serviço de uma poesia nova não terá sido o seu menor mérito. Nunca a burguesia terá sido tão grande como em seu desaparecer” (VANEIGEM, 1974, p. 79).
“Hoje os homens já não atribuem a sua miseria à hostilidade da natureza, mas à tirania de uma forma social perfeitamente inadequada, perfeitamente anacrônica” (VANEIGEM, 1974, p. 80).
“Se a troca pura regular um dia as modalidades de existencia dos cidadãos robôs da democracia cibernética, o sacrificio deixará de existir” (VANEIGEM, 1974, p. 83).
“A busca da verdadeira natureza, da vida natural oposta brutalmente à mentira da ideologia social, representa uma das ingenuidades mais comoventes de uma boa parte do proletariado revolucionario, dos anarquistas, e de espíritos tão notáveis como o do jovem Wilhelm Reich, por exemplo” (VANEIGEM, 1974, p. 88).
“Que desvio é esse no qual, ao me procurar, acabo por perder-me? Que cortina me separa de mim sob pretexto de me proteger? E como me reencontrar nesse esmigalhamento que me compõe? Avanço para não sei que incerteza de nunca me possuir. Tudo se passa como se os meus passos me precedessem, como se pensamentos e afetos desposassem os contornos de uma paisagem mental que eles pensam criar, e que na realidade os modela. Uma força absurda — tanto mais absurda quanto se inscreve na racionalidade do mundo e parece incontestável — coage a saltar sem descanso para atingir um solo que os meus pés nunca abandonaram. E por esse salto inútil em direção a mim, é-me roubado o meu presente; as mais das vezes vivo afastado daquilo que sou, ao ritmo do tempo morto” (VANEIGEM, 1974, p. 99-100).
“Aquilo que nos separa de nós proprios e enfraquece, une por laços falsos ao poder desse modo reforçado e escolhido como protetor, como pai” (VANEIGEM, 1974, p. 100).
“O poder é a soma das mediações alienadas e alienantes. A ciencia (scientia thelogiae ancilla — ‘a ciencia é serva de teologia’) operou a reconversão da mentira divina em informação operacional, em abstração organizada, devolvendo à palavra o seu sentido etimológico – ab-thahere – tirar para fora de” (VANEIGEM, 1974, p. 101).
“É verdade que o hábito mutilou de tal modo o homem que ele pensa que, ao mutilar-se, obedece à lei natural. Talvez seja também o esquecimento de sua propria perda que o amarra melhor ao pelourinho da submissão. Seja como for, cabe bem na mentalidade de um escravo associar o poder à única forma de vida possível, à sob(re)vida. E cabe bem nos designios do senhor encorajar esse sentimento” (VANEIGEM, 1974, p. 102).
“Os regimes feudais exibem cruamente a contradição: servos, meio homens meio bestas, convivem com um punhado de privilegiados entre os quais alguns se esforçam por aceder individualmente à exuberancia e ao poderio de viver” (VANEIGEM, 1974, p.103).
“Quando os dirigentes se apoderam da teoria esta se transforma em suas mãos em ideologia, numa argumentação ad hominem contra o homem. A teoria radical emana do indivíduo, do ser enquanto sujeito; penetra nas massas por aquilo que em cada qual existe de mais criativo, pela subjetividade; pela vontade de realização. Pelo contrário, o condicionamento ideológico é a manipulação técnica do desumano, do peso das coisas. Transforma os homens em objetos que não possuem sentido além da Ordem em que se arrumam. Reúne-os para isolá-los, faz da multidão uma multiplicação de solitários” (VANEIGEM, 1974, p. 106).
“Nenhum signo poético pode ser definitivamente açambarcado pela ideologia” (VANEIGEM, 1974, p. 107).
“Não se derrubará o poder como se derruba um governo. A frente unida contra a autoridade cobre a extensão da vida quotidiana e compromete a imensa maioria dos homens. Saber viver é saber não recuar uma polegada na luta contra a renúncia. Que ninguém subestime a habilidade do poder em empanturrar os seus escravos com palavras até fazer deles os escravos das suas palavras” (VANEIGEM, 1974, p. 108).
“De que armas dispõe cada um de nós para garantir a sua liberdade? Podemos citar três: 1. A informação corrigida no sentido da poesia: decifração de notícias, tradução de termos oficiais (tornando-se ‘sociedades’, na perspectiva oposta ao poder, ‘rackert ou ‘lugar do poder hierarquizado’), eventualmente glossario ou enciclopedia (Diderot tinha perfeitamente compreendido a sua importancia; os situacionistas também”. 2. O diálogo aberto, linguagem da dialética; as conversas e qualquer forma de discussão não espetacular. 3. Aquilo a que Jacob Boehme chama a ‘linguagem sensual’ (sensualische Sprache) ‘porque ela é um espelho límpido dos nossos sentidos’. E o autor  do Caminho para Deus precisa: ‘Na linguagem sensual, todos os espíritos conversam entre si, não necessitam de linguagem alguma, pois é a linguagem da natureza’. Se nos lembrarmos daquilo a que chamei a recriação da natureza, a linguagem de que fala Boehme surge nitidamente como a linguagem da espontaneidade, do ‘fazer’, da poesia individual e coletiva: a linguagem situada no eixo do projeto de realização, trazendo o ‘vivido’ pra fora das ‘cavernas da historia’. A isso se liga também o que Paul Brousse e Ravachol entendiam por ‘a propaganda pelo fato’” (VANEIGEM, 1974, p.108-109).
 “Os partidos do sacrificio absoluto ao Estado, á causa, ao Füher, esses grandes difamadores da vida, têm em comum com aqueles que opõem às morais e às técnicas da renuncia a sua furia de viver, um sentido antagônico, mas identificamente aguçado da festa. A vida assemelha-se tão espontaneamente a uma festa que, quando torturada por um monstruoso ascetismo, todo o brilho que lhe foi roubado o emprega em destruir-se de um só lance” (VANEIGEM, 1974, p. 115).
“Um militante nunca é revolucionário a não ser indo contra as idéias que aceitou servir. [...] A ideologia é a pedra sobre o túmulo do insurreto. Ela quer impedi-lo de ressuscitar” (VANEIGEM, 1974, p. 116).
“A revolução termina no momento em que se passa a ser necessario sacrificar-se por ela” (VANEIGEM, 1974, p. 116).
“Nada quero saber dos outros que primeiro me não diga respeito. É preciso que eles se salvem de mim como eu me salvei deles. O nosso projeto é comum. Exclua-se que alguma vez o projeto do homem total se funde numa redução do individuo. Não existe castração mais ou menos válida. A violencia apocalíptica da nova geração, o seu desprezo pelas prateleiras de preço único da cultura, da arte, da ideologia, confirmam-no nos fatos: a realização individual será obra do ‘cada um por si’ compreendido coletivamente. E de modo radical” (VANEIGEM, 1974, p. 117-118).
“A função do espetáculo ideológico, artístico, cultural, consiste em mudar os lobos da espontaneidade em pastores do saber e da beleza” (VANEIGEM, 1974, p.119).
“Vista na perspectiva do poder, a vida quotidiana não passa de um tecido de renuncias e de mediocridade. Ela é verdadeiramente o vazio. Uma estética da vida quotidiana faria de cada artista organizador desse vazio. O último sobressalto da arte oficial vai esforçar-se por modelar sob uma forma terapêutica aquilo que Freud tinha chamado com simplicidade suspeita o ‘instinto de morte’, ou seja, a submissão alegre ao poder. Sempre que a vontade de viver não emana espontaneamente da poesia individual, estende-se a sombra do sapo crucificado de Nazaré. Salvar o artista que vive em cada ser humano não se fará regredindo por formas artísticas dominadas pelo espírito de sacrificio. Tudo deve ser retomado pela base” (VANEIGEM, 1974, p. 120-121).
“O que é Deus? O fiador e a quintessencia do mito no qual se justifica o dominio do homem pelo  homem. A repugnante invenção não tem outra desculpa” (VANEIGEM, 1974, p. 123).
“Deus é o principio de toda a submissão, a noite que legaliza todos os crimes. O único crime ilegal é a recusa de aceitar um senhor. Deus é a harmonia da mentira; uma forma ideal na qual se unem o sacrifício voluntário do escravo (Cristo), o sacrifício consentido do senhor (o Pai; o escravo é o filho do senhor) e o seu laço indissolúvel (o Espírito Santo). O homem ideal, criatura divina, unitária e mítica na qual a humanidade é convidada a reconhecer-se, realiza o mesmo modelo trinitário, um corpo submetido ao espírito que o guia para a maior glória da alma, a síntese englobante” (VANEIGEM, 1974, p. 125).
“Quando os povos deixam de ser iludidos, deixam de obedecer” (VANEIGEM, 1974, p. 126).
“A máquina de matar já não reconhece os seus senhores e partir do momento em que os assassinos da ordem deixam de obedecer à fé do mito ou, se se quiser, ao Deus que legaliza os seus crimes” (VANEIGEM, 1974, p.130).
“Está na lógica das coisas que o ultimo ator filme a sua propria morte” (VANEIGEM, 1974, p.132).
“O fato merece ser assinalado: por mais longe que se recue, o dominio da terra e dos homens depende sempre de técnicas invariavelmente consagradas ao serviço do trabalho e da ilusão” (VANEIGEM, 1974, p.132).
“Isso significa também que num sentido, o do governo dos homens, o progresso dos conhecimentos humanos aperfeiçoa a alienação; quanto mais o homem se conhece pela via oficial, mais ele se aliena. A ciencia é o álibi da policia. Ela ensina até que grau se pode torturar sem levar à morte, ela ensina, sobretudo, até que ponto nos podemos tornar o héautontimorouménos, respeitável carrasco de nós mesmos. Como se tornar coisas guardando a aparencia humana e em nome de uma certa aparencia humana” (VANEIGEM, 1974, p. 134).
“Queremos viver, na idéia dos outros, numa vida imaginaria e por isso esforçamo-nos por parecer. Trabalhamos para embelezar e conservar esse ser imaginário e desprezamos o verdadeiro” (PASCAL apud VANEIGEM, 1974, p. 138).
“O espetáculo enxertado na vida cotidiana há muito tempo se adiantou à Pop Art. Era previsível que alguns tomariam por modelo essas colagens — remuneradoras em todos os lances — de sorrisos conjugais, de crianças estropiadas e de gênios habilidosos. De qualquer forma, é aí que o espetáculo atinge o estadio critico, o ultimo antes da presença efetiva do cotidiano. Os personagens roçam excessivamente e perto a sua negação. O fracassado desempenha o seu personagem mediocremente, o inadaptado recusa-o. À medida que a organização espetacular se esboroa, engloba os setores desfavorecidos, alimenta-se com seus próprios resíduos. Cantores afônicos, artistas mesquinhos, premiados infelizes, vedetes insípidas, atravessam periodicamente o céu da informação com uma freqüência que determina o seu lugar na hierarquia” (VANEIGEM, 1974, p. 141).
“A doença mental não existe. É uma categoria cômoda para arrumar e afastar os acidentes de identificação. Aqueles que o poder não pode governar nem matar rotulam-os de loucura” (VANEIGEM, 1974, p. 143).
“Aquilo que se ganha em parecer perde-se em ser e em dever ser” (VANEIGEM, 1974, p. 145).
“As escolas-fábricas, a publicidade, o condicionamento de qualquer Ordem ajuda com solicitude a criança, o adolescente, o adulto a obter lugar na grande família dos consumidores” (VANEIGEM, 1974, p. 149).
“É cômico ouvir os protestos dos humanistas contra a redução dos homens a números, a matrículas. Como se a destruição do homem sob a originalidade em putrefação do nome não igualasse a desumanidade de uma série de algarismos. Já disse que a luta confusa entre os pretensos progressistas e os reacionários andava em volta da questão: deve rebentar-se o homem à cacetada ou utilizando recompensas? Uma bela recompensa é possuir um nome conhecido” (VANEIGEM, 1974, p. 151).
“Outrora morria-se de morte feita vida, em Deus. Hoje o respeito da vide impede tocá-la, despertá-la, tirá-la da letargia. Morre-se por inercia, quando a quantidade de morte que se traz em si mesmo atinge o ponto de saturação. Qual será a academia de ciencias que revelará a taxa de radiações mortais que matam os nossos gestos cotidianos? À força de nos identificarmos com o que não somos nós proprios, de passarmos de um personagem  a outro, de um poder a outro, de uma a outra idade, como deixar de ser essa passagem eterna que é a decomposição?” (VANEIGEM, 1974, p. 169-170).
“Se se destruir a paixão, ela renasce na paixão de destruir” (VANEIGEM, 1974, p. 170).
“Ninguém tem o direito de ignorar que a força do condicionamento o habitua a sobreviver com um centésimo das suas possibilidades de viver” (VANEIGEM, 1974, p. 171).
“Doravante, para elaborar uma coletividade harmoniosa, a teoria revolucionária deverá basear-se já não no comunitário, mas na subjetividade, nos casos específicos, no vivido particular” (VANEIGEM, 1974, p. 175).
“Todas as coisas que Deus criou são comuns a todos. Que a mão se apodere daquilo que o olhar vê e deseje” (JEAN DE BRÜNN apud VANEIGEM, 1974, p. 178).
“O homem verdadeiramente livre é rei e senhor de todas as criaturas. Todas as coisas lhe pertencem, e tem direito de se servir de todas as que lhe agradam. Se alguém o impede, o homem livre tem direito de o matar e de lhe tirar os bens?” (JOHANN HARTMANN apud VANEIGEM, 1974, p. 178).
“Apreender-se na perspectiva das coações é sempre olhar no sentido desejado pelo poder, quer seja para recusá-lo, quer seja para aceitá-lo” (VANEIGEM, 1974, p. 183).
“O condicionamento tem por função colocar e deslocar cada pessoa ao longo da escala hierárquica. A inversão de perspectiva implica uma espécie de anti-condicionamento, não um condicionamento de tipo novo, mas uma tática lúdica: o desvio. A inversão de perspectiva substitui o conhecimento pela práxis, a esperança pela liberdade, a mediação pela vontade de imediato. Consagra o triunfo de um conjunto de relações humanas baseadas em três pólos inseparáveis: a participação, a comunicação, a realização. Inverter a perspectiva é deixar de ver com os olhos da comunidade, da ideologia, da família, dos outros. É apreender-se a si próprio solidamente, escolher-se como ponto de partida e como centro. Fundar tudo na subjetividade e seguir a vontade subjetiva de ser tudo. Na linha de mira do  meu insaciável desejo de viver, a totalidade do poder não passa de um alvo particular num horizonte mais vasto” (VANEIGEM, 1974, p. 198).
“A subjetividade é a única verdade” (KIERKEGAARD apud VANEIGEM, 1974, p. 204).
“A espontaneidade - A espontaneidade é o modo de ser da criatividade individual. Ela é o seu primeiro jorro, ainda imaculado; nem corrompido na fonte, nem ameaçado de recuperação. Se a criatividade é a coisa do mundo mais bem repartida, a espontaneidade, pelo contrário, parece depender de um privilégio. Só a possuem aqueles que uma longa resistência ao poder carregou com a consciência do próprio valor individual: a maioria dos homens nos momentos revolucionários, e mais do que o que se pensa, num tempo em que a revolução se constrói todos os dias. Onde quer que subsista um raio de criatividade, a espontaneidade conserva as suas possibilidades” (VANEIGEM, 1974, p. 205).
“O espaço preciso da vida cotidiana rouba uma parcela de tempo ‘exterior’, graças à qual se cria um pequeno espaço-tempo unitario: é o espaço-tempo dos momentos, da criatividade, do prazer, do orgasmo. O lugar dessa alquimia é minúsculo, mas a intensidade vivida é tal que exerce na maioria das pessoas um fascinio sem igual. Visto pelos olhos do poder, observado do exterior, o momento apaixonado não passa de um ponto irrisorio, um instante drenado do futuro ao passado. Do presente como presença subjetiva imediata, a linha do tempo objetivo nada sabe e nada quer saber. E por sua vez, a vida subjetiva apertada no espaço de um ponto — a minha alegria, o meu prazer, as minhas fantasias — quereria nada saber do tempo do escoamento, do tempo linear, do tempo das coisas. Ela deseja, pelo contrario, aprender tudo com o presente, pois que, afinal, ela nada mais é que um presente” (VANEIGEM, 1974, p. 240).

VANEIGEM, Raoul. A arte de viver para a geração nova. Porto: Afrontamento, 1974.

2 comentários:

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  2. Post muito bacana, muito obrigado por separar esses trechos para gente.

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