terça-feira, 26 de abril de 2011

Wilhelm Reich - A função do orgasmo

A função do orgasmo (Wilhelm Reich)

«As enfermidades psíquicas são o resultado de uma perturbação da capacidade natural de amar» (REICH, 1990, p. 14).
«A estrutura do caráter do homem moderno, que reflete uma cultura patriarcal e autoritária de seis mil anos, é tipificada por um encouraçamento do caráter contra sua própria natureza interior e contra a miséria social que o rodeia. Essa couraça do caráter é a base do isolamento, da indigência, do desejo de autoridade, do medo à responsabilidade, do anseio místico, da miséria sexual e da revolta neuroticamente impotente, assim como de um condescendência patológica. O homem alienou-se a si mesmo da vida, crescendo hostil a ela. Essa alienação não é de origem biológica, mas sócio-econômica. Não se encontra nos estágios da história humana anteriores ao desenvolvimento do patriarcado» (REICH, 1990, p. 14-15).
«Uma sujeição sem remédio às condições sócias caóticas continuará a caracterizar a existência humana. Prevalecerá a destruição da vida pela educação coerciva e pela guerra» (REICH, 1990, p. 15).
«Sexualidade e angústia são funções do organismo vivo que operam em direções opostas: expansão agradável e contração angustiante» (REICH, 1990, p. 15).
«A causa imediata de muitos males assoladores pode ser determinada pelo fato de que o homem é a única espécie que não satisfaz à lei natural da sexualidade» (REICH, 1990, p. 16).
«A distorção social da sexualidade natural e sua supressão nas crianças e nos adolescentes são condições humanas universais, transcendendo todas as fronteiras de Estado ou grupo» (REICH, 1990, p. 17).
«É uma tendência humana universal, causada pela supressão da vida; a educação autoritária constitui a base psicológica das massas populares de todas as nações para a aceitação e o estabelecimento da ditadura. Seus elementos básicos são a mistificação do processo vital, um concreto desamparo de caráter material e social, o medo de assumir a responsabilidade de orientar a própria vida, isso é, o desejo mais ou menos forte de uma segurança ilusória e de autoridade ativa ou passiva» (REICH, 1990, p. 18).
«Conhecimento, trabalho e amor natural são as fontes de nossa vida. Deveriam também governá-la; e a responsabilidade total deveria ser assumida pelos homens e mulheres que trabalham, em toda parte» (REICH, 1990, p. 19).
«Significa que o caráter político irracional da vontade do povo deve ser substituído pelo domínio racional do processo social. Isso exige a progressiva auto-educação do povo em direção à liberdade responsável, em vez da suposição infantil de que a liberdade pode ser recebida como um presente, ou pode ser garantida por alguém. Se a democracia quer erradicar a tendência à ditadura nas massas populares, deverá provar que é capaz de eliminar a pobreza e de conseguir a independência racional do povo. Isso, e só isso, pode chamar-se desenvolvimento social orgânico» (REICH, 1990, p. 21).
«Mesmo nas democracias, o povo era ensinado, como ainda o é, a ser cegamente fiel. As catástrofes dos tempos mostraram-nos que o povo ensinado a ser cegamente fiel em qualquer sistema se privará da própria liberdade; matará o que lhe dá a liberdade e fugirá com o ditador» (REICH, 1990, p.21).
«O médico, ou o professor, tem uma única responsabilidade, isso é, praticar inflexível-mente a sua profissão, sem levar em conta os poderes que suprimem a vida, e ter em mente apenas o bem-estar dos que lhe são confiados. Ele não pode representar quaisquer ideologias que contradigam a ciência médica, ou pedagógica» (REICH, 1990, p. 22).
«O homem é um ser desamparado quando lhe falta o conhecimento; o desamparo causado pela ignorância é o fertilizante da ditadura» (REICH, 1990, p. 22).
«A ‹moralidade› é ditatorial quando confunde com pornografia os sentimentos naturais da vida» (REICH, 11990, p. 22).
«O comportamento moral natural pressupõe o livre desenvolvimento do processo natural da vida. Por outro lado, caminham de mãos dadas a moralidade compulsiva e a sexualidade patológica» (REICH, 1990, p. 23).
«Na verdade ele (o homem prático) está se tornando cada vez mais impotente, mas tem um ‹espírito crítico›, estéril, embora; tem ideologias ou tem a autoconfiança fascista. É um escravo, um ninguém, mas a sua raça é uma ‹raça pura› ou nórdica; ele sabe que o ‹espírito› governa o corpo e que os generais defendem a ‹honra›» (REICH, 1990, p. 45).
«É seu próprio corpo que o paciente esquizofrênico sente como seu perseguidor» (REICH, 1990, p. 47).
«Não é apenas o desejo sexual proibido que é inconsciente, mas também as forças defensivas do ego» (REICH, 1990, p. 57).
«Uma experiência psíquica pode provocar uma resposta somática que produz uma mudança permanente em um órgão. [...] chamei a esse fenômeno ancoragem fisiológica de uma experiência psíquica» (REICH, 1990, p. 61).
«As pessoas são ‹polimorficamente perversas› e também o são sua moralidade e suas instituições» (REICH, 1990, p. 65-66).
«Se por causa de um casamento insatisfatório, uma mulher jovem e ardente desenvolvia uma neurose estásica, por exemplo, uma angústia cardíaca nervosa, não ocorreria a ninguém indagar a respeito da inibição que a impedia de experimentar a satisfação sexual a despeito de seu casamento. Com o tempo é mesmo possível que ela pudesse desenvolver uma histeria real ou uma neurose compulsiva. Nesse caso, a causa primeira teria sido a inibição moral, enquanto a sexualidade insatisfeita seria a força motriz» (REICH, 1990, p. 86).
«É simples e parece até vulgar, mas eu sustento que toda pessoa que tenha conseguido conservar alguma naturalidade sabe disto: os que são psiquicamente enfermos precisam de uma só coisa — completa e repetida satisfação genital» (REICH, 1990, p. 87).
«O homem é a única espécie biológica que destruiu sua própria função sexual natural e está doente em consequência disso» (REICH, 1990, p.92).
«Potência orgástica é capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo» (REICH, 1990, p. 92).
«A experiência clínica mostra que, como resultado da repressão sexual universal, homens e mulheres perdem a capacidade de experimentar a entrega involuntária. É precisamente essa faze antes desconhecida de excitação final e de solução da tensão que tenho em mente quando falo de ‹potência orgástica›. Ela constitui a função biológica básica e primária que o homem tem em comum com todos os outros organismos vivos. Toda experiência da natureza deriva dessa função, ou do desejo dela» (REICH, 1990, p. 97).
«A perturbação da genitalidade não é, como se pensava, um sintoma entre outros. É o sintoma da neurose. Pouco a pouco, todas as evidências levaram a uma conclusão: a enfermidade psíquica não é só o resultado de uma perturbação sexual no sentido freudiano lato da palavra; mais concretamente, é o resultado da perturbação da função genital, no sentido estrito da impotência orgástica» (REICH, 1990, p. 99-100).
«A fonte de energia da neurose tem origem na diferença entre acúmulo e a descarga de energia sexual» (REICH, 1990, p. 100).
«Sem qualquer pressentimento do fato, nós nos havíamos aproximado da principal característica do homem moderno, que é a tendência de repelir os impulsos sexuais autênticos e agressivos com atitudes espúrias, falsas e enganosas. A adaptação da técnica á hipocrisia do caráter do paciente apresentava conseqüências que ninguém adivinhava, e que todos inconscientemente temiam» (REICH, 1990, p. 108).
«Agressão, no sentido estrito da palavra, não tem nada a ver com sadismo ou destruição. A palavra significa ‹aproximação›. Toda manifestação positiva da vida é agressiva. [...] Agressão é a expressão de vida da musculatura e do sistema de movimento» (REICH, 1990, p. 137).
«Não há conversão de uma excitação sexual. A mesma excitação que aparece nos genitais como sensação de prazer é percebida como angústia quando se apodera do sistema cardíaco, i. e., é percebida como o oposto exato do prazer» (REICH, 1990, p. 119).
«A sobrecarga do sistema vasovegetativo com a excitação sexual não descarregada é o mecanismo central da angústia» (REICH, 1990, p.119).
«[...] A incapacidade de experimentar satisfação é que caracteriza a neurose» (REICH, 1990, p. 135).
«O mundo total da experiência passada incorpora-se ao presente sob a forma de atitudes de caráter. O caráter de uma pessoa é a soma total funcional de todas as experiências passadas» (REICH, 1990, p. 128).
«A tendência destrutiva cravada no caráter não é senão a cólera que o indivíduo sente por causa de sua frustração na vida e de sua falta de satisfação sexual» (REICH, 1990, p. 131).
«Couraça do caráter: um conflito combatido em determinada idade, sempre deixa atrás de si um vestígio no caráter do indivíduo. Esse vestígio se revela como um enrijecimento do caráter. Funciona automaticamente e é difícil de eliminar. O paciente não o sente como algo alheio; freqüentemente, porém, percebe-o como uma rigidez ou como uma perda da espontaneidade. Cada um desses estratos da estrutura do caráter é uma parte da história da vida do indivíduo, conservada e, de outra forma ativa no presente. A experiência mostrou que os conflitos antigos podem ser bem facilmente reativados pela liberação desses estratos. Se os estratos de conflitos enrijecidos eram especialmente numerosos e funcionavam automaticamente, se forma uma unidade compacta e não facilmente penetrável, o paciente os sentia como uma ‹couraça› rodeando o organismo vivo. [...] Sua função em todos os casos era proteger o indivíduo contra experiências desagradáveis. Entretanto, acarretava também uma redução da capacidade do organismo para o prazer (REICH, 1990, p. 129-130).
«Agressão, no sentido estrito da palavra, não tem nada a ver com sadismo ou destruição. A palavra significa ‹aproximação›. Toda manifestação positiva da vida é agressiva. [...] Agressão é a expressão de vida da musculatura e do sistema de movimento» (REICH, 1990, p. 137).
«Se uma pessoa encontra obstáculos intransponíveis nos seus esforços para experimentar o amor ou a satisfação das exigências sexuais, começa a odiar. Mas o ódio não pode ser expresso. Deve ser refreado para evitar a angústia que causa. Em suma, o amor contrariado causa angústia. Igualmente, a agressão inibida causa angústia; e a angústia inibe as exigências do ódio e do amor» (REICH, 1990, p. 131).
«A pessoa orgasticamente insatisfeita desenvolve um caráter artificial e um medo às reações espontâneas da vida; e assim, também, um medo de perceber suas próprias sensações vegetativas» (REICH, 1990, p. 132).
«A estase sexual é o resultado de uma perturbação da função do orgasmo. Fundamentalmente, as neuroses podem ser curadas pela eliminação de sua fonte de energia, a estase sexual» (REICH, 1990, p. 136).
«Toda ação destrutiva aparentemente arbitrária é uma reação do organismo à frustração da satisfação de uma necessidade vital, especialmente de uma necessidade sexual» (REICH, 1990, p.138).
«A expressão nunca mente. [...] A expressão é a manifestação imediata do caráter» (REICH, 1990, p. 150).
«O casamento e a família compulsivos reproduzem a estrutura humana de uma era econômica e psiquicamente mecanizada» (REICH, 1990, p.).
«Ninguém negaria o valor da capacidade de amar, nem o valor da potência sexual. Ninguém ousaria postular a incapacidade para o amor, ou a impotência — que são os resultados da educação autoritária — como objetivo do empenho humano» (REICH, 1990, p. 161).
«A sociedade molda o caráter humano. Por sua vez, o caráter humano reproduz, em massa, a ideologia social. Assim, reproduzindo a negação da vida inerente à ideologia social, as pessoas causam sua própria supressão. Esse é o mecanismo básico da chamada tradição» (REICH, 1990, p. 163).
«Os pais reprimem a sexualidade das crianças pequenas e dos adolescentes, sem saber que o fazem obedecendo às injunções de uma sociedade mecanizada e autoritária. Com sua expressão natural bloqueada pelo ascetismo forçado, e em parte pela falta de uma atividade fecunda, as crianças desenvolvam pelos pais uma fixação pegajosa, marcada pelo desamparo e por sentimentos de culpa. Isso, por sua vez, impede que se libertem da situação de infância, com todas as suas inibições e angústias sexuais concomitantes. As crianças educadas assim tornam-se adultos com neuroses de caráter, e depois transmitem suas neuroses a seus próprios filhos. Assim de geração em geração. Dessa forma é que se perpetua a tradição conservadora que teme a vida. Como, apesar disso, podem as pessoas se tornar — e permanecer — sãs?» (REICH, 1990, p. 172).
«Pus o preto no branco ao afirmar que a educação convencional torna as pessoas incapazes para o prazer — encouraçando-as com o desprazer. O prazer e a alegria da vida são inconcebíveis sem luta, sem experiências dolorosas e desagradáveis auto-avaliações. A saúde psíquica se caracteriza são pela teoria do nirvana dos iogues e budistas, nem pelo hedonismo dos epicuristas ou pela renúncia do monasticismo; caracteriza-se pela alternância entre a luta desagradável e a felicidade, entre o erro e a verdade, entre a derivação e a volta ao rumo, entre o ódio racional e o amor racional; em suma, pelo fato de se estar plenamente vivo em todas as situações da vida» (REICH, 1990, p. 175).
«A higiene mental pressupõe uma vida ordenada, materialmente garantida. Uma pessoa atormentada pelas necessidades materiais básicas não pode gozar nenhum prazer, e facilmente se transforma em um psicopata sexual» (REICH, 1990, p. 177).
«Toda a produção da cultura, da história de amor às mais altas realizações da poesia, confirma minha opinião. Toda a política da cultura (filmes, romances, poesia, etc) gira em torno do elemento sexual e medra sobre sua renúncia na realidade e sua afirmação no ideal. As industrias e a propaganda capitalizam-no. Se toda a humanidade sonha com a felicidade sexual e poetiza o tema, não deveria também ser possível transformar o sonho em realidade? O objetivo era claro. Os fatos descobertos na profundidade biológica exigiam atenção médica. Por que, apesar disso, o anseio de felicidade sempre aparece apenas como uma visão fantástica, em luta com a dura realidade?» (REICH, 1990, p. 183-184).
«As leis patriarcais pertencentes à religião, à cultura e ao casamento são predominantemente leis contra a sexualidade» (REICH, 1990, p. 192).
«O que acontece com os instintos que são libertados da repressão? Segundo a psicanálise, são censurados e sublimados. Não havia qualquer menção — e nem podia haver — da satisfação real, porque o inconsciente era concebido apenas como o inferno, ou como um feixe de impulsos anti-sociais e perversos» (REICH, 1990, p. 186).
«Toda educação sofre com o fato de que a adaptação social requer a repressão da sexualidade natural, e de que essa repressão torna as pessoas doentes e anti-sociais» (REICH, 1990, p. 187).
«O anseio do homem pela vida e pelo prazer não pode ser aniquilado, enquanto o caos social da sexualidade pode ser eliminado» (REICH, 1990, p. 189).
«A supressão da sexualidade das crianças e dos adolescentes tinha a função de tornar mais fácil para os pais insistir na obediência cega dos filhos» (REICH, 1990, p. 193).
«A supressão sexual tem a função de tornar o homem dócil à autoridade exatamente como a castração dos garanhões e dos touros tem a função de produzir satisfeitos animais de carga» (REICH, 1990, p. 193).
«A supressão sexual torna-se um instrumento essencial de escravização econômica» (REICH, 1990, p. 200).
«Assim, a formação de uma estrutura de caráter sexual negativa era o objetivo real e inconsciente da educação» (REICH, 1990, p. 194).
«Apenas a liberação da capacidade natural do homem para o amor é que pode vencer a tendência sádica e destrutiva» (REICH, 1990, p. 195).
«Crianças saudáveis são sexualmente ativas de maneira natural e espontânea. Crianças doentes são sexualmente ativas de maneira inatural, i, e., perversa. Por isso, na nossa educação sexual, enfrentamos não a alternativa de atividade sexual ou ascetismo mas a alternativa de sexualidade natural e sã ou sexualidade perversa e neurótica» (REICH, 1990, p. 200).
«A era autoritária e patriarcal da história humana tentou manter sob controle os impulsos anti-sociais por meio de proibições morais compulsivas. Foi dessa maneira que o homem civilizado, se na verdade pode ser chamado assim, desenvolveu uma estrutura psíquica que consiste em três estratos. Na superfície, usa a máscara artificial do autocontrole, da insincera polidez compulsiva e da pseudo-sociabilidade. Essa máscara esconde o segundo estrato, o ‹inconsciente›, freudiano, no qual sadismo, avareza, sensualidade, inveja, perversões de toda sorte, etc., são mantidos sob controle, não sendo, entretanto privados da mais leve quantidade de energia. Esse segundo estrato é o produto artificial de uma cultura negadora do sexo e, em geral, é sentido conscientemente como um enorme vazio interior e como desolação. Por baixo disso, na profundidade, existem e agem a sociabilidade e a sexualidade naturais, a alegria espontânea no trabalho e a capacidade para o amor. Esse terceiro e mais profundo estrato, que representa cerne biológico da estrutura humana, é inconsciente e temido. Está em desacordo como todos os aspectos da educação e do controle autoritários. Ao mesmo tempo, é a única esperança real que o homem tem de dominar um dia a miséria social» (REICH, 1990, p. 201).
«O fato de que milhões de pessoas foram sempre ensinadas a reconhecer uma autoridade política tradicional, em vez de uma autoridade baseada no conhecimento dos fatos, constituiu a base sobre a qual a exigência fascista de obediência pode agir» (REICH, 1990, p. 204-204).
«Desde os tempos antigos, a ‹preservação da família› fora, na Europa, um abstrato chavão, por trás do qual se escondiam os pensamentos e ações mais reacionários. Alguém que criticasse a família autoritária compulsiva, e a distinguisse do relacionamento natural de amor entre filhos e os pais, era ‹inimigo da pátria›, um ‹destruidor da sagrada instituição da família›, um anarquista» (REICH, 1990, p. 209).
«Como o medo da excitação orgástica se encontra em toda neurose, as fantasias e atitudes masoquistas fazem parte de toda enfermidade emocional» (REICH, 1990, p. 219).
«O masoquismo não corresponde a um instinto biológico. É o resultado de uma perturbação na capacidade de satisfação de uma pessoa, e uma tentativa continuadamente frustrada de corrigir essa perturbação. O masoquismo é a expressão de uma tensão sexual que não pode ser aliviada. Sua fonte imediata é a angústia de prazer ou medo da descarga orgástica. O que o caracteriza é que procura conseguir precisamente aquilo que mais profundamente teme: a liberação agradável da tensão, experimentada e temida como um rompimento ou uma exploração » (REICH, 1990, p. 220).
«Sofrer e suportar o sofrimento são resultados da perda da capacidade orgástica para o prazer» (REICH, 1990, p. 220).
«A neurose não é mais que a soma total de todas as inibições cronicamente automáticas de excitação sexual natural» (REICH, 1990, p. 222).
«Em forma de ideologia e prática de várias religiões patriarcais, o masoquismo prolifera como erva má e sufoca todos os direitos naturais à vida. Mantém as pessoas no estado abissal de submissão. Impede suas tentativas de chegar a uma ação racional comum e os satura do medo de assumir a responsabilidade de sua existência. É causa do fracasso dos melhores impulsos de democratização da sociedade» (REICH, 1990, p. 223).
«A vida funciona, apenas. Não tem nenhum ‹significado›» (REICH, 1990, p. 226).
«A energia da vida sexual pode ser contida por tensões musculares crônicas. A cólera e a angustia podem também ser bloqueadas por tensões musculares» (REICH, 1990, p. 231).
«Nós não temos relações sexuais ‹a fim de gerar filhos›, mas porque uma congestão de fluido carrega bioeletricamente os órgãos genitais e pressiona em direção à descarga. Isso, por sua vez, é acompanhado pela descarga de substâncias sexuais. Assim, a sexualidade não está a serviço da procriação; mais propriamente, a procriação é um resultado incidental do processo tensão-carga nos genitais. Isso pode ser deprimente para os campeões da filosofia moral eugênica, mas é a pura verdade» (REICH, 1990, p. 241-242).
«Os afetos de uma experiência não são determinados pelo seu conteúdo, mas pela quantidade de energia vegetativa mobilizada pela experiência» (REICH, 1990, p. 268).
«Todos os estados somáticos que se conhecem clinicamente, como a hipertensão cardiovascular, se tornam compreensíveis como estados de atitudes crônicas simpaticotônicas de angustia. No centro dessa simpaticotonia está a angustia de orgasmo, isto é, o medo da expansão e da convulsão involuntária» (REICH, 1990, p. 253).
«Vista biologicamente, a inibição da respiração nos neuróticos tem a função de reduzir a produção de energia no organismo e, assim, a produção de angustia» (REICH, 1990, p. 263).
«No rompimento da unidade do sentimento do corpo pela supressão sexual, e no contínuo anseio de restabelecer contato consigo mesmo e com o mundo, encontra-se a raiz de todas as religiões negadoras do sexo. ‹Deus› é a idéia mistificada da harmonia vegetativa entre o eu e a natureza. Desse ângulo, a religião só pode ser reconciliada com a ciência natural se Deus personifica as leis naturais e o homem está incluído no processo natural» (REICH, 1990, p. 302).
«Certas expressões, habituais na educação pela boca de pais e mestres, retratam com exatidão o que aqui descrevi como técnica muscular de encouraçamento. Uma das peças centrais da educação atual é o aprendizado do autocontrole. ‹Quem quer ser homem deve dominar-se›. ‹Não se deve deixar-se levar›. ‹Não se deve demonstrar medo›. ‹Cólera é falta de educação›. ‹Uma criança decente senta-se quieta›. ‹Não se deve demonstrar o que se sente›. ‹Deve-se cerrar os dentes›. Essas frases, características da educação, inicialmente são repelidas pelas crianças, depois aceitas com relutância, laboradas e, por fim, exercitadas. Entortam-lhes — via de regra — a espinha da alma, quebram-lhes a vontade, destroem-lhes a vida interior, fazem delas bonecos bem educados.» (REICH, 1990, p. 304).
«Não adianta nada que os ‹caracteres rebeldes› oponham barreiras à educação. Precisamos mesmo   é:  1) do mais exato entendimento dos mecanismos pelos quais as emoções são patologicamente controladas; 2) da aquisição da mais larga experiência possível no trabalho prático com crianças, para descobrir qual a atitude que as próprias crianças assumem em relação a seus impulsos naturais dentro das condições existentes; 3) de descobrir as condições educacionais necessárias para estabelecer uma harmonia entre motilidade vegetativa e a sociabilidade; 4) a criação da fundação geral econômico-social para conseguirmos as condições anteriores» (REICH, 1990, p. 304).
«Mente e corpo constituem uma unidade funcional, tendo ao mesmo tempo uma relação antitética. Ambos funcionam segundo leis biológicas. A modificação dessas leis é resultado de influências sociais. A estrutura psicossomática é o resultado de um choque entre as funções sociais e biológicas. A função do orgasmo é a medida do funcionamento psicofísico, porque é nela que se expressa a função da energia biológica» (REICH, 1990, p. 320).
REFERENCIA
REICH, Wilhelm. A função do orgasmo. São Paulo: Círculo do Livro. 1990. 343p. Tradução: Maria da Glória Novak.

3 comentários:

  1. «A causa imediata de muitos males assoladores pode ser determinada pelo fato de que o homem é a única espécie que não satisfaz à lei natural da sexualidade» (REICH, 1990, p. 16).
    Concordo com o autor quando enfatiza que o homem traz para si males sem medidas por tentar em nome da moral não satisfazer uma necessidade que é natural.

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  2. Olá, bom dia... é verdade Tania dentre todos os males que nos causa... inicialmente não seguir a lei básica da Natureza com relação a nossa sexualidade nos faz neoróticos... esse é o primeiro passo em nosso (des)caminho na direção da... Moral!!!
    29/04/2011
    [PS.: muito obrigado pela visita e comentário].

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  3. Este um do textos mais libertadores a que tive acesso.

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